O mercado de manutenção de smartphones usados registrou crescimento de 68% no Brasil nos últimos meses, segundo levantamento divulgado pelo Canaltech. O aumento reflete uma mudança no comportamento dos consumidores, que têm optado por prolongar a vida útil dos aparelhos em vez de investir em modelos novos, cada vez mais caros.
A principal razão para essa mudança é o aumento no preço dos smartphones. Com modelos intermediários e premium chegando a valores elevados, muitas famílias passaram a buscar alternativas mais econômicas. Uma delas é o reaproveitamento de aparelhos antigos, que antes ficavam guardados em casa e agora são repassados para filhos ou outros familiares.
Especialistas apontam que esse movimento tem sido chamado de “herança digital”, prática em que crianças e adolescentes recebem como primeiro celular um aparelho usado da família. Antes de serem entregues, esses dispositivos costumam passar por reparos como troca de tela, substituição de bateria e manutenção de componentes internos, impulsionando o setor de assistência técnica.
Outro fator que contribui para o crescimento do setor é a desaceleração na troca de smartphones. De acordo com especialistas ouvidos pelo Trocafone em reportagem publicada pelo Canaltech, consumidores têm permanecido mais tempo com seus aparelhos porque os lançamentos recentes oferecem poucas mudanças significativas em relação aos modelos anteriores.
Além da economia, a sustentabilidade também entra na discussão. O descarte precoce de eletrônicos tem aumentado a produção de lixo tecnológico no país. Dados citados pelo Canaltech mostram que o Brasil gerou cerca de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2022, cenário que reforça a importância do reparo como alternativa ambientalmente responsável.
Apesar do crescimento, o setor ainda enfrenta desafios, como o alto custo de peças de reposição e a dificuldade de acesso a assistências autorizadas. Projetos de lei e debates sobre o chamado “direito ao reparo” buscam ampliar o acesso do consumidor à manutenção de aparelhos eletrônicos.
A tendência indica que o mercado de celulares usados e de reparos deve continuar em expansão nos próximos anos, impulsionado por consumidores mais atentos ao orçamento e por uma maior preocupação com o desperdício eletrônico.